Esquece-se muito fácil no Brasil das pessoas. O Barão de Itararé merecia ser lembrado por suas máximas ("Quem empresta, adeus!", uma delas) a cada batida de segundo.
Outro que merece revisão e de quem vamos falar: Agrippino Griecco. Vivemos num país de muitos críticos e poucos Críticos. Ao morrer, em 1973, deixou milhares de apontamentos. Desde jovem, rabiscava impressões em qualquer tira de papel. E as guardava - curioso isso - em caixas de sapato. Anunciou um livro, Gralhas & pavões, que só foi publicado após seu desaparecimento.
Reli recentemente a obra (Editora Record, 1988, Rio de Janeiro, 158 páginas) , em que é possível perceber sua fina ironia e identificar muitas das gralhas e muitos dos pavões que conheceu em sua vida:
Tristão de Ataíde - pseudônimo de Alceu Amoroso Lima: Ele não tem a culpa de um mau soneto no passado.
Conferências e conferencistas - Um só ouvinte ficou na sala depois da conferência. E o conferencista ainda o deixou lá adormecido.
Justiça, juristas, juízes, falando sempre em despejos - será que despejou Adão e Eva do Paraíso?
Juventude e velhice - A perfeição não é própria da mocidade, mas ser moço vale mais que ser perfeito.
Médicos - O médico, deixando de clinicar, passou a escrever. Lucraram o doentes, perdeu a literatura.
Homossexuais - Muito homme-femme no Brasil agora.
Religião, padres - Sempre a falar de santos, e era o mais diabólico dos homens.
Escola - No dia de aula, a melhor hora é a hora do recreio, e, durante o ano letivo, o melhor período é o período de férias.
Bíblia - Furtou uma Bíblia e abriu-a logo onde se lê: "Não furtarás".
Bebedores: Dá impressão de que passou logo das mamadeira às garrafas.
Talento - A burrice é contagiosa, o talento não.
Educação - Agora é o aluno que quer dar palmatoadas nos professores.
Memória - Até de alguns inimigos lembro com saudade.
Congressistas - Muito bem pago o seu longo mutismo como deputado federal.
Pecados - "Não tenho arrependimento do pecado, tenho é saudade do pecado..."
Constatação - Ler um livro pela segunda vez é como desposar uma viúva.
Conclusão - Mandam-me um livro intitulado Ai! E eu, comigo mesmo: "Ai de quem, do autor, do editor, do leitor?
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