ENTREVISTA

'Folha continuará sendo questão de honra'

A afirmação é do secretário de Estado da Fazenda, Antônio Gavazzoni, em entrevista à Agência Adjori de Jornalismo

O secretário de Estado da Fazenda, Antonio Gavazzoni, admite que foi um ano difícil, o mais difícil em três gestões à frente da pasta, porém, diz que a crise trouxe oportunidades para mudar para melhor. Nesta entrevista a Agência Adjori de Jornalismo, o secretário reiterou que a folha de pagamento do funcionalismo continuará sendo prioridade.

Agência Adjori de Jornalismo - Mesmo que Santa Catarina esteja em uma posição privilegiada em comparação com outros estados, no que diz respeito às contas púbicas, não foi um ano fácil. O que pesou mais para o equilíbrio entre despesas e receitas em SC?

Antônio Gavazzoni - As rubricas sobre as quais não podemos interferir no curto prazo, como folha de pagamento, previdência, dívida pública e repasses constitucionais são sempre os maiores desafios. Conseguimos agir diretamente no custeio próprio, que foi um dos que menos cresceu no país. Fizemos ajustes significativos nas empresas da administração indireta, com cortes de cargos e estruturas que já estão resultando em economia. A arrecadação, porém, que é a mola propulsora da economia estadual, ficou abaixo de zero no último trimestre, em termos nominais. Ainda assim, por conta do esforço concentrado da equipe da Fazenda, vamos fechar o ano sem aumentar impostos e com o pagamento de folha 100% em dia, enquanto muitos estados não pagam ou parcelam salários. Costumo dizer que o que nos salvou do tsunami que atingiu outros estados em cheio foi a nossa cultura de disciplina e controle das contas. Ajuste fiscal faz parte da nossa política econômica há anos.

Adjori - Em 2016, SC deve manter as contas em dia ou a tendência é que falte para pagar salários, como já acontece em outros estados?

Gavazzoni - Em três gestões à frente da Fazenda, 2015 certamente foi o ano mais difícil. A crise política que abalou as estruturas da nossa economia não foi prevista por nenhum especialista. O que podemos antever agora, porém, é que 2016 não será fácil. Em termos financeiros, tivemos que usar toda e qualquer economia para honrar nossos compromissos. A conjuntura da economia nacional nos leva a crer que enfrentaremos meses duros. A folha de pagamento continuará sendo questão de honra para o governo do Estado, assim como a posição de não aumentar impostos e o esforço para manter investimentos públicos. Acredito que se conseguirmos passar por 2016 mantendo essas diretrizes sairemos da crise como o Estado mais competitivo do Brasil. Sou otimista. Somos um Estado que tem como característica a superação.

Adjori - O senhor defendeu pautas polêmicas neste ano, como mudanças no plano de carreira dos professores e na previdência pública do Estado. Por que o senhor considera estes assuntos tão importantes?

Gavazzoni - Não é justo deixarmos para as próximas gerações a conta por decisões erradas dos governos. Seria a opção mais fácil e menos desgastante, mas a partir do momento que temos consciência dos problemas e conhecemos os caminhos para a solução, temos a obrigação moral de tomar uma atitude. No caso da previdência, outros governos tentaram sem sucesso efetivar mudanças. A lógica deve ser a de que quem entra e ajuda a pagar a aposentadoria de quem sai. Nos próximos cinco anos já teremos uma redução significativa na insuficiência. Talvez os cidadãos ainda não tenham a noção da mudança. Mas no futuro ficará cristalino que fizemos a coisa certa. Foi um ano difícil, mas que ficará na história. A crise nos trouxe oportunidades de mudar para melhor.

Adjori - O senhor trabalha diariamente para equilibrar as contas públicas. Que dica o senhor daria para o cidadão que está endividado?

Gavazzoni - Guardadas as devidas proporções, o princípio tanto nas contas públicas quanto nas domésticas deve ser o mesmo: fazer as despesas caberem dentro das receitas. E isso se faz com planejamento. Seja com sistemas de controle de última geração ou com anotações em um caderninho, a lógica é fazer, no início do exercício, uma projeção de tudo que deve entrar como receita. A partir daí, priorizar os gastos fundamentais e, no decorrer do período, ir gerenciando as variáveis. O princípio básico, em qualquer caso, é disciplina fiscal.

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