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03/04/2025 11:56
ABRIL AZUL

Mãe e fundadora da AMA Gaspar luta por mais inclusão e apoio a autistas

Por Daniel Nogueira

 Publicado 03/04/2025 11:56  – Atualizado 03/04/2025 11:56

  • Com três filhos autistas, Eliane ainda encontra tempo para presidir a AMA de Gaspar (Fotos: Kassiani Borges/JM)

Eliane Schmidt Salgado lidera entidade que atende mais de 200 pessoas e enfrenta desafios para ampliar serviços

A rotina de Eliane Schmidt Salgado está longe de ser fácil. Ela apenas dorme depois que seus três fi lhos estão na cama e acorda antes deles. Marcos, o mais velho, tem 15 anos e é autista nível3, necessitando de atençãoconstante. Os outros dois fi lhos, João e Mateus, também estão dentro do espectro, mas no nível 1. Apesar das demandas diárias damaternidade,Elianeainda encontra forças para se dedicar à AMA Gaspar (Associação de Pais e Amigos dos Autistas), entidade quefundou em 2017 e que hoje atende mais de 200 pessoas com o Transtorno do Espectro Autista (TEA).


A primeira sede da AMA foi a própria casa de Eliane. Sem um espaço adequado, ela recebia outras famílias que, assim como a sua, enfrentavam desafi os diários e buscavam apoio. Com o crescimento da demanda, a entidade conseguiu um local maior, e hoje está instalada em uma casa cedida pela Prefeitura de Gaspar, na Rua Joinville. Apesar disso, o espaço segue insufi ciente para a quantidade de serviços oferecidos. O sonho de uma sede própria ainda parece distante, especialmente depois de uma promessa de R$ 3 milhões para construção do prédio da AMA, feita em 2019 e que nunca se concretizou. “Na época, um cheque simbólico foi entregue, mas o projeto acabou aumentado de valor e não foi aprovado pelo governo”, explica Eliane.


Atualmente, a AMA Gaspar oferece atendimento com fonoaudióloga, especialista em psicomotricidade, rodas de conversa, ofi cinas de artesanato e até práticas de paradesporto, implementada em parceria com a Fundação Municipal de Esportes. No entanto, os desafi os são muitos e o principal deles é a escassez de profi ssionais especializados. “Temos leis que amparam os autistas, como a Lei Berenice Piana, mas sua aplicação ainda é falha. O número de profi ssionais no setor público é muito bai-xo, e muitos pais não conseguem pagar tratamentos particulares”, aponta Eliane.


Outro problema enfrentado por muitas famílias é a falta de suporte para as mães, que acabam saindo do mercado de trabalho para se dedicarem aos fi -lhos. “Não temos um contraturno adequado na AMA. Se pudéssemos oferecer isso, muitas mães poderiam continuar trabalhando para ajudar no sustento da casa”, afi rma Eliane. A AMA Gaspar é mantida, em grande parte, por doações e trabalhos voluntários. Recentemente, uma emenda parlamentar permitiu a contratação de uma funcionária para auxiliar no funcionamento da instituição, mas a maior parte dos custos diários ainda é coberta por campanhas, como o tradicional pedágio da AMA, que acontece no dia 12 de abril.


Ee abril, marcado pela campanha de conscientização sobre o autismo, Eliane reforça a importância do apoio da sociedade. “Gostaria que todas as famílias que têm fi lhos autistas soubessem que não estão sozinhas. E que a comunidade também entenda que um simples gesto de apoio faz diferença. Pergunte a uma mãe de autista se ela precisa de ajuda, nem que seja para poder tomar um banho com tranquilidade”, diz. A AMA Gaspar está de portas abertas para quem quiser conhecer, apoiar ou buscar suporte, na Rua Joinville, número 114, no bairro Coloninha.

  • Eliane: "Mães de autistas não estão sozinhas" (Kassiani Borges/JM)

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