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28/02/2025 13:32
CRISE HÍDRICA

Desabastecimento de água em Ilhota faz prefeito suspender novos loteamentos

Por Alexandre Melo

 Publicado 28/02/2025 12:48  – Atualizado 28/02/2025 13:32

  • Loteamentos seriam uma das causas do desabastecimento de água na cidade (Fotos: Divulgação Internet)

Medida será mantida por 90 dias até que se encontre solução para a frequente falta de água no município

Embora dividida por um rio, o Itajaí-Açu, Ilhota convive há vários anos com a falta de água potável. Chegar em casa depois de um dia de trabalho e não ter uma gota de água nas torneiras é um drama para os moradores e que se agrava nesta época do ano, quando o consumo aumenta.

O grande número de loteamentos, que surgiram nos últimos anos, agravaram a crise hídrica na cidade. Tanto é verdade que o prefeito Joel Soares, assim que assumiu no dia 1º de janeiro deste ano, assinou decreto suspendendo, por três meses, a liberação de novos loteamentos. Neste período, a Ilhota Saneamento, empresa que assumiu a gestão da água em Ilhota em janeiro de 2024, por meio de licitação e com contrato de 30 anos, deverá realizar novas melhorias para garantir água tratada e de qualidade nas casas, comércios e indústrias da cidade.

Em vídeo, publicado nas redes sociais, Joel e seu vice-prefeito, Adenir da Silva, o Lico, afirmaram que o governo e a Câmara de Vereadores vêm cobrando da empresa responsável pelo serviço as medidas para amenizar o problema. Joel garantiu ainda que os últimos investimentos vão melhorar a distribuição de água a partir da estação de tratamento da região central da cidade.

A crise hídrica em Ilhota é antiga. Governos anteriores até tentaram a solução, municipalizando o serviço, mas a falta de investimentos na modernização da rede de abastecimento é o grande entrave. Ou seja, água para ser captada, tratada e armazenada tem em abundância, o que falta é fazer chegar o produto  às torneiras dos ilhotenses.

Em 2017, no Governo Dida (MDB), a Prefeitura assumiu o serviço. Porém, uma disputa judicial entre Casan e município, ajuizada em 2007, continuou correndo na justiça. Dida criou o Samae de Ilhota e contratou, em caráter emergencial, a Atlantis Saneamento para operacionalizar o serviço na cidade. No entanto, os prometidos investimentos e melhorias na rede de abastecimento, que caberiam à Prefeitura, não ocorreram na mesma velocidade de crescimento da cidade. 

O que diz a empresa
Thiago Chagas, gerente responsável pela Ilhota Saneamento, diz entender o problema e apreensão tanto do poder público quando da comunidade, porém, explica que os investimentos e melhorias operacionais estão sendo feitos de acordo com um planejamento de negócios baseado no que foi apresentado pela Prefeitura no edital de licitação. “No caso da licitação da captação, tratamento e distribuição de água em Ilhota foi feito um planejamento dentro do entendimento do que se precisava fazer e está especificado no contrato da empresa vencedora. É isso que estamos fazendo. O contrato especifica o que vai ser feito do primeiro ao último ano da concessão”. Mesmo assim, a empresa vem antecipando alguns investimentos, o que foi confirmado pelo prefeito.

Chagas esclarece que um dos problemas para o desabastecimento de água em Ilhota está relacionado à falta de energia elétrica na região central, o que tem prejudicado a distribuição. “O operador do sistema, no caso a Celesc, precisa fornecer uma energia de qualidade para a cidade”. Por isso, explica o gerente, a aquisição dos geradores que serão instalados na estação de tratamento do centro da cidade. “Estamos oferecendo uma solução emergencial que deveria ser dada pela Celesc”, aponta.

De acordo com o gerente, a partir do próximo mês a Ilhota Saneamento vai iniciar a substituição da rede de abastecimento na Barra de Luiz Alves, no sentido Itajaí, o que vai garantir uma maior vazão. “Vamos instalar uma rede com tubulação de 200mm de diamêtro, o que vai garantir maior vazão”, explica.

Ele admite que, no passado, não se fez o investimento correto ou nem se fez, por isso os problemas se repetem. “O que temos hoje é deficiência na distribuição, pois água para ser captada, tratada e armazenada nós temos funcionado e bem”.

Outras medidas que serão tomadas pela empresa é o recadastramento de clientes e substituição de hidrômetros. “Precisamos saber quem está regularizado e quem não está, pois um cliente que recebe água de forma irregular está tirando de outro que está regularmente cadastrado no sistema”, justifica. Thiago também diz que as melhorias que já foram feitas no primeiro ano da concessão garantiram o funcionamento do sistema de abastecimento neste período - dezembro a abril - considerado o mais crítico de consumo. Sobre a decisão de suspender a liberação de novos loteamentos na cidade, o gerente reforçou que não teve participação da Ilhota saneamento.

  • Decreto vai manter por 90 dias a Prefeitura sem expedir nenhum alvará para novos loteamentos (DIVULGAÇÃO)

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