
Especial Gaspar 91 anos: Exoneração E fuga

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Em ordem: Jacó Alexandre Schmitt, Antônio Martins dos Santos e João Gomes Nóbrega (Fotos: Acervo Arquivo Histórico de Gaspar/Acervo Prefeitura de Blumenau)
Distrito de Gaspar com o apoio de Itajaí elege prefeito gasparense para Blumenau
Gaspar sempre “rezou” politicamente na cartilha de Itajaí, que era uma cidade mais identificada com o liberalismo, mas o Partido Liberal Catarinense (PLC) nunca conseguia chegar ao poder porque havia uma enorme máquina eleitoral que garantia a vitória dos candidatos do Partido Republicano Catarinense (PRC).
Para se tornar candidato a prefeito, era preciso ter capital e forte influência na comunidade. As eleições, geralmente, ocorriam dentro das igrejas e nem todas as pessoas eram autorizadas a votar. Haviam critérios, como por exemplo ser alfabetizado – e naquela época havia muita gente que não sabia ler nem escrever – ou se sabia era em alemão ou italiano.
Gaspar tinha um “colégio eleitoral” grande porque muitas pessoas, de descendência açoriana, falavam a Língua Portuguesa, e esse era outro critério para se habilitar a votar. Em Blumenau, ao contrário, a maioria dos moradores se comunicava em alemão ou italiano.
“Essa bolha, por vezes era furada e foi o que aconteceu quando o Distrito de Gaspar, com o apoio político de Itajaí, conseguiu eleger prefeito de Blumenau o gasparense Jacó Alexandre Schmitt. Jacó era filho de Adão Schmitt e irmão de Pedro Schmitt, do clã dos Schmitt do Poço Grande.
Por conta do movimento “Blumenau Unido”, um foco de resistência ao separatismo, Jacó Alexandre Schmitt foi exonerado do cargo logo após a divisão de Blumenau, em 1934. Acusado de não ter se empenhado em manter Blumenau unida, ele teve de fugir da cidade. Ele foi substituído na Prefeitura pelo coronel Antônio Martins dos Santos, que ficou no cargo de 25 de fevereiro a 20 de agosto, quando então assumiu João Gomes da Nóbrega, que permaneceu até 29 de maio de 1935, quando foi substituído por Germano Beduschi.
Jacó Schmitt era um homem rico, influente e avançado nas suas ideias, tinha bom tino comercial. Na época, ele se escondeu em Balneário Camboriú numa casa próxima onde hoje está o Hotel Marambaia, no Pontal Norte, da praia central.
Depois que a situação se acalmou, Jacó Alexandre decidiu permanecer residindo no balneário, onde comprou imóveis e abriu o primeiro hotel à beira-mar. Por lá ficou até seus últimos dias de vida, tornando-se uma grande liderança política e econômica na cidade depois da emancipação em 1964.
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